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Dinheiro

Aposentadoria Privada: A Calculadora Que o Banco Não Quer Que Você Veja

O PGBL/VGBL é vendido como dedução do IR. A taxa de carregamento e a tabela regressiva fazem parte do desconto desaparecer em 5 anos. Aqui é a conta sem maquiagem do gerente.

Por Mr. Chicken 8 min de leitura
Capa editorial papel-warm com tira navy e asterisco mostarda

Seu gerente do banco te liga em outubro. “Tem que aproveitar a dedução do IR antes de fechar o ano. Faz uma previdência PGBL.” Ele te mostra a planilha: contribui R$ 12 mil, deduz R$ 12 mil, economiza ~R$ 3.300 de IR. Parece grátis.

Não é. Tem três coisas que ele não puxa na conversa. Cada uma sozinha pode zerar a “economia” em alguns anos.

Truque 1: taxa de carregamento

Boa parte dos planos cobra taxa de carregamento na entrada (até 5% sobre cada aporte) ou na saída (até 10% se sacar antes de N anos). Isso significa que o banco fica com 5% do dinheiro que você ainda nem investiu.

Em uma contribuição de R$ 12 mil, a taxa de 5% é R$ 600. Sua “economia de IR” era R$ 3.300 → vira R$ 2.700.

Pergunte explicitamente: “Qual a taxa de carregamento? Antecipada ou postergada? Tem isenção?” Se a resposta for vaga, é porque tem.

Existem PGBLs com 0% de carregamento (XP, BTG Pactual, ABC Brasil, alguns bancos de investimento). Se o seu banco padrão cobra, mude.

Truque 2: taxa de administração

A taxa de administração de uma previdência boa é 0,5%-1% ao ano. A taxa de uma previdência ruim é 2%-3% ao ano — vista nos planos vendidos pelos gerentes de banco grande.

A diferença composta em 30 anos: uma taxa de 2% ao ano come ~45% do patrimônio final. Você acumulou R$ 1 milhão; o banco “comeu” R$ 450 mil em taxa.

Compare: a Tesouro Direto cobra ~0,2%/ano de custódia + 0% de administração. ETFs Brasileiros (BOVA11, IVVB11) cobram 0,1-0,2% de adm. Se o objetivo é renda passiva de longo prazo, o veículo pode não ser previdência nenhuma — só Tesouro Direto + ETFs em uma conta na corretora.

Truque 3: tabela regressiva tem cliff

Você escolhe entre tabela progressiva (alíquota baseada na renda no momento do saque, 0% a 27,5%) ou tabela regressiva (alíquota cai com o tempo: 35% se sacar até 2 anos, depois 30%, 25%, 20%, 15%, e finalmente 10% após 10 anos).

A maioria escolhe regressiva pra “pagar 10%”. Mas:

Anos no planoAlíquota
Até 235%
2-430%
4-625%
6-820%
8-1015%
10+10%

Se uma emergência te faz sacar no ano 5, perde 25% do total no IR + a taxa de saída do banco (até 10%) = você pode perder mais de 30% do patrimônio em um único saque.

Isso é pior do que deixar em CDB + pagar 17,5% de IR no resgate (alíquota para >2 anos, tabela única regressiva da renda fixa).

Quando PGBL faz sentido (a verdade)

PGBL faz sentido quando TODOS estes são verdadeiros:

  1. Você faz declaração completa do IR (não simplificada). Quem usa simplificada não aproveita a dedução.
  2. Você contribui com até 12% da sua renda bruta tributável (limite dedutível).
  3. Você consegue uma previdência com carregamento 0% e administração ≤1%.
  4. Você tem horizonte real de 10+ anos sem mexer (alíquota mínima 10%).
  5. Sua reserva de emergência já está montada fora da previdência.

Se algum dos 5 falhar, VGBL ou Tesouro IPCA+ ganha na simulação.

Quando VGBL faz sentido

VGBL não tem dedução de IR na entrada. Mas:

  • IR só sobre o rendimento (não sobre o principal).
  • Mesma tabela regressiva 35→10%.
  • Útil pra quem usa simplificada do IR e quer diversificar veículo de aposentadoria.
  • Útil pra sucessão (não entra em inventário).

A calculadora rápida (em uma linha)

Vale a pena PGBL se:
   (Economia de IR) > (Carregamento + Adm. acumulada + IR final)

Numericamente, em 80% dos casos:
   PGBL com taxa >1,5% adm OU >0% carregamento → perde para Tesouro IPCA+

Use o simulador da Susep ou o do Tesouro Direto. Compare com seu plano atual. Se a diferença for >5% no patrimônio final, considere migrar (existe “portabilidade de previdência” gratuita por lei — o gerente não te conta).


Conteúdo informativo, não constitui recomendação. Para sua situação específica, consulte um planejador financeiro CFP ou um contador. Não consulte o gerente do banco — é vendedor, não consultor.